quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SAUDADES!

Saudades...
de nós
de mim
de voce!
Saudades...
do que tive
do que nao tive
do que vivi
do que nao vivi
por voce!
Saudades...
de momentos
de lugares
de onde nunca fui
de onde nunca irei
com voce!
Saudades...
do todo
do tudo
do que eu era
do que queria ter sido
pra você!
Saudades...
de ouvir novamente
você dizendo
sentir saudades
muitas saudades
de mim!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SENTIMENTOS ETERNIZADOS

Cheiros, dores, sabores,
momentos e saudades
têm sido recorrente em mim.
Seja o cheiro do colo de mãe
ou o cheiro do amor juvenil
me vêm tão forte
trazendo lembranças
que supunha perdidas.
Eterna é a dor sofrida
que ainda fere, como punhal
transpassando-me o peito,
sentindo a falta de meu pai
e irmaos que se foram,
de amigos que partiram
e de amores que perdi.
Sabores são eternos
quando na simples lembrança
a boca enche-me de água...
ovo de tartaruga, me perdoem,
é minha "madaleine"
e o sabor da língua
no beijo de uma pessoa amada
está em mim entranhado.
Dos momentos, os eternos
em mim marcados com emoção:
quando me entreguei ao homem
que comigo partilhou a vida,
pai dos meus filhos,
e deles lembrando a chegada,
me fazem vir as lágrimas.
A minha saudade eterna
da forte presença paterna
e de um homem que,
de mim se despedindo em prantos,
tendo ou não de fato me amado,
fez-me sentir dentre as mulheres
a mais desejada das amadas.
Nada pode ser eterno,
tudo pode ser olvidado...
Posso perder olfato, paladar
visao, audição ou o tato;
posso me afastar e me perder
de tudo e todos que me marcaram,
mas nada, nem ninguem,
conseguirá apagar ou tirar-me
estes sentimentos que eternamente
estarão eternizados dentro de mim.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A LUA DA JANELA

Sozinha, deitada estou lendo
quando sinto a claridade sobre mim.
É a lua se derramando em meu quarto.
Não fossem as janelas à frente,
com seus olhares invasores
a devassarem minha privacidade,
na minha cama nua me deitaria
e da linda lua me banharia.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

COM AMOR NAO SE BRINCA

Vida tranquila, divertida, saltitante...
Inesperadamente o amor
chegou sem pedir licença,
foi se instalando, invadindo,
tomando conta, se apropriando
em meio a culpas, angústias,
desespero...
Parecia amor de conto de fadas,
como daqueles impossíveis,
de tão forte que era.
Então, um dia...
como chegou foi saindo,
sem sua anuência,
não se importando
se o que tinha plantado
havia florescido
ou sido devastado
pelas intempéries
a ela causada...
Mentiu, omitiu, frustrou,
brincou, machucou...
Transformou a mulher
em espectro de gente.
A ausência, o silêncio,
quando descoberto
deles os motivos
foi como punhal
fincado no peito...
Faltou-lhe ar, força
coragem...
Sofreu, adoeceu,
prostrou-se...
Vingança!
O amor próprio ferido pedia
fosse mesquinha.
Poderia ter feito pior,
mas a quebra do silêncio
a fez pensar, refletir,
ignorar...
Preferiu se afastar,
matar todo o sentimento
que dentro dela havia.
Quem sabe um dia...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

FOSSE HOMEM O MAR

Delicioso ele estava,
sua água quente me convidava
a dar um mergulho.
Como era o primeiro do ano,
pulei as sete ondas, mergulhei
e saí correndo pra nao ser tragada
pela enorme onda que se aproximava.
Ouvindo o barulho das ondas
quebrando na praia,
fiquei olhando a espuma sumindo na areia.
Que medo tenho dele!
Parece um homem atrevido querendo me envolver
e levar-me para longe, sem saber onde vai parar.
Hoje tenho medo do mar, antes eu o enfrentava,
respeitava mas nao lhe temia.
Até que um dia ele me mostrou sua força
num "caixote", quase me afogando.
Se eu não tivesse sido valente e lutado
ele teria me jogado desmaiada e desnuda na areia.
Fosse ele um homem atrevido querendo me carregar,
mesmo sem saber onde eu pudesse parar,
poderia até deixar de respirar que a ele iria me entregar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

APTA À PERDIÇÃO

"Estou apta a me perder..."
Uma frase entreouvidos
tinha algo a me dizer,
então passei a refletir:
Estou apta a me perder
no abrigo de um abraço
com mãos fortes, seguras,
meu corpo acariciando.
Estou apta a me perder
no calor de ardentes beijos
onde lábios sedentos
procurem os úmidos
e devassos lábios meus.
Estou apta a me perder
na entrega de meu corpo
pronto ao outro receber
com a pureza da lascívia
de quem sabe amar
sem ter nada a perder
e muito de tudo a ganhar.
Estou apta a me perder
pela liberdade de falar
em voz rouco-morna,
no ouvido do amante,
todo o desejo que vier.
Estou apta a me perder
porque sou livre pra ir,
e também pra vir,
sem ter a quem pedir.
Estou apta a me perder
porque me perdendo de mim
tenho a grande chance
de me encontrar com voce,

sábado, 24 de dezembro de 2011

EXÍLIO

Estou exilada,
nao da cidade,
nem da pátria...
um auto exílio
em que fugi
de dentro de mim,
sem perguntas
nem respostas,
levando as dores
de incertezas,
inseguranças
e frustraçoes...
minh'alma, degredada
de meu corpo insepulto,
busca abrigo.